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Engenheiros criam arranha-céus que parecem fisicamente impossíveis!

Você já se perguntou como os prédios acima podem ser construídos? Altos e com uma estrutura inovadora, parecem algo distante da realidade ou existentes apenas para projeções gráficas.

Uma grande empresa de engenharia em Nova York tem como foco de trabalho justamente o desafio de transformar esses desenhos mirabolantes em realidade. Stephen DeSimone, presidente da DeSimone Consulting Engineers em Nova York, trabalha com estruturas diferentes de qualquer outra coisa no mundo: prédios altíssimos e ao mesmo tempo compactos.

A cidade de Nova York está enfrentando um grande boom imobiliário com prédios cada vez mais altos, especialmente em alguns quarteirões de Manhattan. Uma combinação perfeita de circunstâncias econômicas está produzindo prédios altíssimos que são ridiculamente finos. A DeSimone é uma das poucas empresas que trabalham com essas construções estranhas, cada uma delas resultado de uma série complexa de negociações envolvendo legisladores, acordos e forças do mercado.

No momento, a empresa está focada em um prédio projetado pelo arquiteto Robert AM Stern. Sua cobertura pode se tornar o apartamento mais caro vendido na história de Nova York, por US$ 175 milhões, enquanto mais de US$ 1,1 bilhão em apartamentos foram vendidos no prédio ainda em construção.

Para DeSimone, o que é realmente incrível neste prédio em particular não tem nada a ver com a questão econômica criada por forças do mercado. Se você olhar para o prédio de 290 metros de altura, vai perceber que ele tem apenas 16 metros de largura. É uma proporção de 18:1, um desafio estrutural que é incomum fora desse nicho de imóveis.

Construindo um túnel de vento

Em prédios altos e finos como esse, a forma como o vento reage ao design da fachada é tão importante quanto qualquer outra coisa na estrutura. Quando pensamos em arranha-céus, normalmente imaginamos o ar fluindo ao redor de fachadas de vidro. Mas prédios que parecem como velas ou asas tendem a agir como se fossem isso mesmo, o que gera forças estruturais perigosas. Em edifícios altos e finos como este, o objetivo é quebrar o vento – capturando-o em cantos, fendas ou ornamentos para reduzir sua velocidade.

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220 Central Park South Tower – Arq. Robert A.M. Stern

Isso significa que DeSimone e sua equipe desenvolveram peças de protótipo do prédio e então as testaram em um túnel de vento. Lá, em uma passagem intensa de vento, arquitetos podem simular as forças que atingirão suas criações todos os dias.

 

Tudo é um protótipo

Os arquitetos que trabalham com DeSimone são frequentemente chamados de “starchitects” (arquitetos-estrela) de forma pejorativa. São designers célebres que comandam estúdios pequenos, mais semelhantes a boutiques do que a uma loja de departamento. O trabalho de DeSimone é pegar as imagens e ideias elegantes deles e transformá-las em matemática.

O difícil é que cada prédio é único. “No nosso negócio, tudo o que fazemos é praticamente um protótipo”, explica DeSimone. “Muitas das coisas que esses arquitetos tentam fazer nunca foi feita antes – eles estão usando materiais de uma forma que nunca foi usada antes.”

Temos como exemplo o IAC Building, projetado por Frank Gehry. Neste edifício, todas as colunas são inclinadas. Esse design permitiu que a estrutura ficasse mais resistente. “Nós aprendemos que, ao inclinar as colunas, você cria uma quantidade incrível de força horizontal”, diz DeSimone.

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IAC Building, projetado por Frank Gehry

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HL23, de Neil Denari

E então temos o HL23, de Neil Denari, uma torre resistente que literalmente paira sobre o parque suspenso High Line. Para isso dar certo, a equipe de DeSimone precisou construir um esqueleto de aço para o prédio e, assim, conseguiu colocá-lo meio que flutuando sobre o parque.

Mesmo que cada um desses prédios seja único, o conhecimento adquirido em um pode ajudar no desenvolvimento de outros. É possível ver isso na evolução dos prédios retorcidos. O que começou com o edifício de Gehry – em que todas as colunas estão inclinadas – acabou chegando a um prédio torcido em Abu Dhabi chamado Regent Emirates Pearl.

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Regent Emirates Pearl em Abu Dhabi

O trabalho de DeSimone nesses projetos agora está ajudando no desenvolvimento de prédios retorcidos em Miami, projetados pelo arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels. Cada um desses prédios começa como um quadrado e então torce e se torna um retângulo maior conforme ele sobe – um efeito chamado de “mudança de forma” por DeSimone.

Esse alongamento nos andares superiores existe por um motivo simples: os andares de cima são mais caros. Para que gastar espaço nos pisos mais próximos ao chão quando todo mundo quer uma cobertura? A retorcida, por sua vez, garante um visual único ao prédio.

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Edifícios Residenciais em Miami – Arq. Bjarke Ingels

Isso parece incrível do ponto de vista arquitetônico, e é o sonho de uma construtora imobiliária implacável, por isso DeSimone encontrou uma forma de tornar esse negócio ainda mais vantajoso. A maior parte dos arranha-céus de Miami são construídos com concreto sólido, o que acaba ocupando um espaço precioso em seus andares. Ao usar paredes de aço composto, os engenheiros conseguiram reduzir a espessura dessas paredes pela metade. Em curto prazo isso é mais caro, mas o espaço extra em cada um dos andares garante um valor mais alto na venda do apartamento – e, consequentemente, compensa os gastos extras com a estrutura.

 

Fonte: gizmodo.uol.com.br

Autor: Kelsey Campbell-Dollaghan

Imagens: DeSimone Consulting Engineers

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